"Devemos escrever para nós mesmos, é assim que poderemos chegar aos outros!"
Eugène Ionesco
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terça-feira, 8 de junho de 2010

Nunca deixem de sonhar :')

Hoje foi definitivamente um dia cheio de emoção onde os sentimentos estiveram à flor da pele.

À 7 anos atrás, fomos finalistas da escola primária, e lembro-me que a minha professora nos ofereceu um poema, que é sem dúvida o meu preferido e que uso como lema. Chama-se "O Sonho" e é de Sebastião da Gama

"Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos,
Basta a esperança naquilo

que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos

e do que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos."


Desejo-vos tudo de bom e lembrem-se do que disse Fernando Pessoa
"Põe quanto tu és no mínimo que fazes."

Reflexão (ou tentativa) e Auto-Avaliação

Não podia deixar de referir, antes de mais, que no início fiquei muito chateada quando me ligaram, estava eu em Vigo no Mundial de Hóquei em Patins, a informar que não havia sociologia e então tinha de ir à escola no dia seguinte. Resposta da Rita (eu): "Estou em Espanha, não posso ir aí!".

Como sou uma pessoa relativamente responsável, resolvi ir à escola mal cheguei a Portugal (bem, foi só no dia seguinte). Uma professora muito querida (cofcof) disse "Vais ter psicologia!". Pensei "Uau! Que escolha ponderada da minha parte. (-.-)" .

Parece que estava destinada a esta disciplina, pois acabei por descobrir que gostava de trabalhar nesta área.

Ao longo deste ano, cresci (não em tamanho, porque isso está complicado) e aprendi a compreender melhor as pessoas e sobretudo a mim própria. Passei a ser uma pessoa mais ponderada e altruísta. Empenhei-me!

A disciplina de Psicologia ajudou-me a compreender muito melhor quem sou e quem são os outros. Foi sem dúvida a disciplina que mais gostei, e quando aprendia alguma coisa, não decorava para os testes, pois comentava com os meus pais, a propósito de situações do dia-a-dia.
O momento que mais me marcou, durante todas as aulas, foi quando contamos a nossa história de vida e ouvimos as dos outros. Foi fundamental para conhecer melhor os meus colegas, para compreender muitas das suas atitudes e, sobretudo, para os respeitar nos seus defeitos e nas suas virtudes.

Não posso deixar de agradecer à professora Diana, por todas as "abanadelas" que nos deu e pela forma "terra a terra" com que deu as aulas.

Ao longo destes 17 anos (por falar em 17, é exactamente esta a nota que eu acho que mereço), passou muita gente por mim, e é disso que tenho pena, passou. Espero que os amigos que construí (é disso que se trata a amizade, de uma construção diária) durem para sempre, como diz a música que com orgulho e sentimento cantámos hoje "Amigos para sempre / Seremos até morrer".

Obrigada a todos por fazerem parte de mim e da minha história de vida <3

25 de Abril de 1974

Vuvuzelas

Riquezas, hoje enquanto assistia ao jogo da nossa selecção de futebol, e apesar no sono, fiquei extremamente irritada com o barulho emitido pelas vuvuzelas.
Ao ouvir falar dos melefícios deste maravilhoso instrumento, não podia deixar de os partilhar convosco.


Aquela bodega pode causar surdez no ser humano, mas mais depressa deve levar à loucura. Além de tudo isto, e muito mais grave, é o facto de não permitir a correcta comunicação entre os treinadores e os jogadores (talvez sirva de desculpa para a maravilhosa prestação que se prevê por parte da selecção portuguesa).

Bem, basicamente deviam ser proibidas. Enquanto isso nao aconteça, sugiro para quem tem facebook, que adira ao maravilhoso grupo que um génio anónimo resolveu criar, que diz respeito à campanha das vuvuzelas da Galp, que não divulgo o nome por questões éticas. Descubram!

Beijinhos para todos e não percam tempo a ver os jogos, estudem para os exames :b

Objecto da Psicologia

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Esperto ou Inteligente?

À cerca de uma semana, estava a ler a revista Tabu, que é vendida juntamente com o jornal Sol, e encontrei um artigo de José António Saraiva intitulado Inteligência vertical e horizontal. Por achar que todos deveríamos ler este artigo, e por já termos falado vagamente deste assunto na aula tomei a liberdade de "trazer" esta publicação para o nosso blog.


"Diz-se muitas vezes: «Fulano é inteligente, sicrano é estúpido». Mas, deixando para já de lado a estupidez, o que significa exactamente a palavra 'inteligência'? Antes de mais, gostaria de fazer uma distinção entre 'esperteza' e 'inteligência'.
Para muita gente são sinónimos . Uma pessoa esperta é inteligente e vice-versa. Ora não é assim. As duas palavras têm significados distintos. Mais: há muita gente esperta que não é inteligente, como há pessoas inteligentes que não são espertas.
A meu ver, a inteligência supõe capacidade para pensar e produzir ideias. Uma pessoa inteligente é aquela que não se limita a reproduzir mecanicamente as ideias de outros, antes é capaz de criar, de elaborar raciocínios - e, portanto, de ter um pensamento próprio.
A esperteza, pelo contrário, não é criativa. Uma pessoa esperta não tem de criar nada, de ter ideias próprias, de ter um pensamento original. A sua característica é apanhar facilmente as ideias dos outros e saber usá-las.

Por esta razão, os indivíduos espertos são normalmente bons alunos: eles apreendem as matérias com rapidez e reproduzem-nas com facilidade. Mas muitas vezes não são, depois, grandes profissionais - sobretudo em funções que exigem uma reflexão própria.
Inversamente os indivíduos inteligentes podem nao ser grandes alunos - até por terem certa aversão a reproduzir o que vem nos manuais, a repetir as ideias de outros - mas podem chegar longe no plano profissional.
Temos aqui, portanto, uma primeira e decisiva clarificação: a diferença entre inteligência e esperteza.

Todos nós, se pensarmos um pouco, concluímos que conhecemos pessoas espertas pessoas inteligentes. Às vezes, ainda não acabámos de concluir um raciocínio e já os nossos interlocutores perceberam tudo - e estão a comentar o que queremos dizer.
Algumas destas pessoas são autênticas esponjas - tal a sua capacidade para absorver reflexões alheias. Mas depois não são capazes de dizer algo de novo, de surpreendente, de original. De produzir uma ideia própria. Limitam-se a reproduzir o que leram ou ouviram.
Por outro lado, conhecemos pessoas que nos estão sempre a surpreender, com afirmações inesperadas, com reflexões contra a corrente, ao arrepio das ideias feitas. Quando todos estão a repetir uma coisa eles dizem o contrário. Estas pessoas são decisivas em todos os grupos - orque levam os outros a interrogar-se, a ter dúvidas, a perceber que aquilo que "toda a gente diz" talvez não seja tão evidentemente verdade.

Estabelecida a diferença entre inteligência e esperteza, há que fazer outras distinções. Para começar, não há s´´o um tipo de inteligência - há vários. Há, por exemplo, 'inteligência prática' e 'inteligência teórica'.
O meu filho mais velho, quando andava a estudar filosofia, dizia que a prática não interessava nada - que a única coisa que interessava era o pensamento. A prática não consporcava o pensamento, contaminava-o. As pessoas deviam refugiar-se na especulação pura porque era a única que não estava contaminada perlos malefícios da prática. E não havia modo de o demover dessa ideia. A prática, para ele, era uma coisa horrível, abominável.

Outras pessoas dizem exactamente o contrário: que o pensamento em estado puro não vale nada, e que a prova da sua validade está no confronto com a prática, na aplicação à realidade. Dizia Salazar no fim da sua vida, falando de Marcello Caetano, que as ideias (neste caso, em política) não são boas 'em si': as ideias só existem quando são passíveis de levar à prática - e de produzir resultados.
Conheço pessoas clom uma grande capacidade especulativa, que fazem o nosso pensamento voar com elas, mas com uma enorme dificuldade de adptação à realidade. E também conheço o contrário: pessoas com uma fantástica inteligência prática, que inventam processos novos de fazer isto ou aquilo, que criam produtos com sucesso imediato, mas quye não têm mínima capacidade especulativa.
Quando entram na especulação. na teoria, no pensamento puro, parecem atrasados mentais.

Continuando a falar de inteligência, há outra distinção que nunca vi tratada mas que um dia destes me ocorreu com meridiana evidência.
Parece-me hoje claro que há uma 'inteligência vertical' e uma 'inteligência horizontal' (e quando falo de 'horizontal', não me refiro ao divã do psiquiatra nem pretendo fazer uma alusão irónica ao modo como algumas pessoas sobem na carreira...)
A inteligência horizontal é a capacidade de abarcar uma grande quantidade de assuntos e tratá-los com algum desenvolvimento e interesse. A pessoa que conheço que possui em mais alto grau este tipo de inteligência é Marcelo Rebelo de Sousa. Ele trata de um sem número de temas - desde a política à economia, desde a música à religião, desde a literatura ao futebol, desde as questões internacionais à União Europeia, desde os temas jurídicos aos temas jornalísticos - com o maior à vontade e desenvoltura, e sempre com interesse.
De semana para semana renova os temas sobre os quais se debruça ou reinventa ângulos de abordagem.
Claro que as pessoas que possuem este tipo de inteligênica não podem esmiuçar demasiado cada tema. Trata-se de uma visão panorâmica - que é o oposto da observação microscópica.

Nos antípodas desta está a inteligência vertical. A pessoa que conheci com uma inteligência vertical mais vincada foi o meu pai, António José Saraiva. Ele era incapaz de tratar ou dominar vários assuntos ao mesmo tempo - mas quando tratava um procurava escalpelizá-lo, ir á raiz. Em geral conseguia ter sobre ele opiniões novas, conclusões originais, pontos de vista nunca descobertos.
Ele gostava de falar de Literatura, História e Política - e para lá disso era um zero quase absoluto. Não percebia nda de futebol, nem de matemática, nem de assuntos comunitários, nem de televisão, nem de música...
Posso dizer, neste aspecto, que o meu pai e Marcelo foram duas das pessoas mais inteligentes que conheci - mas ao mesmo tempo mais diferentes. As suas inteligências eram radicalmente opostas, uma saltitando com graça e talento de assunto para assunto, outra escalpizando um tema, não o deixando fugir, procurando entendê-lo até ao fim.

Creio que neste aspecto saio mais ao meu pai - embora com uma componente prática que o meu pai não tinha de todo, e que herdei da minha mãe.
E isso levou-me a dizer convictamente 'não' a Vicente Jorge Silva quando, há 30 anos, me convidou para substituir Marcelo Rebelo de Sousa no "Expresso" quando este saiu para o Governo. Ou, em tempos mais recentes, quando José Rodrigues do Santos e Judite de Sousa me convidaram - num simpático almoço no Pabe - para comentar semanalmente na RTP a política postuguesa.
Sempre me senti incapaz de me desdobrar por vários assuntos, de tocar vários instrumentos. Gosto de agarrar num tema e descascá-lo, como uma cebola. Foi isso que sempre fi na coluna "Política à Portuguesa" e que continuo a fazer aqui no SOL na "Política a Sério".

E é também isso, embora noutro registi, que faço nas crónicas deste local: pego num tema e vou falando dele ao sabor da imaginação, da memória, e de reflexões feitas ao longo do tempo. Como hoje.
E o leitor já pensou nisso? Tem um ensamento mais 'vertical' ou mais 'horizontal'?"

terça-feira, 23 de março de 2010

"A solidariedade começa por mim"



Não é raro nós, alunos de humanidades, sermos rotulados como burros. Lamento desapontar quem pensa assim, mas de facto não o somos.

O que somos, realmente, são alunos com alguma sensibilidade e atentos aquilo que nos rodeia, e ao contrário do que acontece com colegas de outros cursos, não nos preocupamos tanto com as médias, mas sim em tirar proveito daquilo que aprendemos.

Parece confuso? É simples!

Nós, os alunos de humanidades, aproveitamos aquilo que aprendemos para desenvolvermos projectos bastante interessantes. A prova disso foi aquilo que se passou hoje na nossa escola.

Foi com alguns meses de trabalho, muito stress e uma professora incansável, que tornamos a visita do Dr.Fernando Nobre, presidente da AMI, num dos acontecimentos mais importantes que a escola alguma vez teve (pelo menos desde que frequento este estabelecimento de ensino).


Isto foi possivel, porque além de nos empenharmos em estudar outras disciplinas, preocupamo-nos em mostrar a toda a comunidade escolar aquilo que de melhor há no mundo para contrariar todos os males que nele existem.

No entanto, e não sei se por inveja ou por falta de inteligência, ouvimos comentários bastante desagradáveis.

Mas se agora somos rotulados como burros, mais tarde poderemos a vir a ser grandes seres humanos, pois teremos mais vitae do que curriculum.

Iniciativas como esta, farão de nós pessoas socialmente activas, e vamos lembrar-nos que aos 17/18 anos vestimos umas t-shirt's que tinham escrito "A solidariedade começa por mim".

quinta-feira, 4 de março de 2010

O que é o amor?


Estive a pesquisar para ver se encontrava resposta à pergunta "O que é o amor?", e encontrei esta história. Achei-a linda e percebi que não vale a pena tentar entender o que é o amor, pois não se explica, simplesmente sente-se.


"Numa sala de aula, havia várias crianças. Quando uma delas perguntou à professora:
- Professora, o que é o amor?

A professora sentiu que a criança merecia uma resposta à altura da pergunta inteligente que fizera. Como já estava na hora do recreio, pediu para que cada aluno desse uma volta pelo pátio da escola e trouxesse o que mais despertasse nele o sentimento de amor.

As crianças saíram apressadas e, ao voltarem, a professora pediu:
- Quero que cada um mostre o que trouxe consigo.

A primeira criança disse:
- Eu trouxe esta flor! Não é linda?!

A segunda criança falou:
- Eu trouxe esta borboleta. Veja o colorido das suas asas. Vou colocá-la na minha colecção.

A terceira criança completou:
- Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele tinha caído
do ninho junto com outro irmão. Não é tão engraçado?

E assim as crianças foram-se colocando.

Terminada a exposição, a professora notou que havia uma criança que tinha ficado quieta o tempo todo. Ela estava vermelha de vergonha, pois nada havia trazido.

A professora dirigiu-se a ela e perguntou-lhe:
- Minha querida, por que é que não trouxeste nada?

E a criança timidamente respondeu:
- Desculpe, professora. Vi a flor e senti o seu perfume. Pensei em arrancá-la, mas preferi deixá-la para que seu perfume exalasse por mais tempo. Vi também a borboleta, leve, colorida! Ela parecia tão feliz que não tive coragem de aprisioná-la.
Vi também o passarinho caído entre as folhas, mas, ao subir à árvore, notei o olhar triste de sua mãe e preferi devolvê-lo ao ninho. Portanto professora, trago comigo o perfume da flor, a sensação de liberdade da borboleta e a gratidão que senti nos olhos da mãe do passarinho. Como posso mostrar o que trouxe?

A professora agradeceu à criança e deu-lhe nota máxima, pois ela fora a única que percebera que só podemos trazer o amor no coração."

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Resumo das aulas dos dias 14 e 15 de Outubro

Nos passados dias 14 e 15 de Outubro estudamos o que nos torna especificamente humanos, o bipedismo: a posição erecta ou vertical como forma típica de locomoção e o desenvolvimento cerebral: expansão e especialização do cérebro.

O ser humano é portador de uma imensa capacidade de aprendizagem e de adaptação que se designa por Neotenia. É um processo evolutivo do qual resulta, nos seres humanos, uma capacidade de aprendizagem que se prolonga por toda a vida. A Neotenia traduz uma “falta de acabamento” que prolonga o período de infância e de adolescência e, permite o desenvolvimento adequado das estruturas cerebrais complexas e o desenvolvimento da inteligência. Exprime também uma enorme plasticidade e flexibilidade do nosso património genético, que o torna aberto às influências culturais e ambientais. De uma forma muito resumida, e “traduzindo” à letra, Neotenia significa “manter a juventude”. Como exemplo de um aspecto Neoténico que influencia o nosso comportamento temos curiosidade, pois, e citando as palavras da professora «Somos seres dotados de uma curiosidade natural permanente»

O bipedismo – a marcha vertical ou erecta – provocou: mudanças na curvatura da coluna, o reforço da bacia, o aumento da espessura da medula espinal, para controlar melhor a marcha, a corrida e o acto de respirar, alterações ao nível da laringe, etc. Sem estas mudanças anatómicas seria, segundo os estudiosos da área, complicado falar do surgimento da fala.

A libertação permanente das mãos, fez com que estas substituíssem a boca como órgão de defesa, ataque e de trabalho e, tornou possível a invenção de uma grande quantidade de objectos. Também permitiu o desenvolvimento cerebral, pois quanto maior for a perícia na manipulação de objectos, maior será a capacidade de idealizar e fabricar tais objectos.

Não somos só o que somos devido à nossa evolução biológica. De facto, a própria evolução desencadeou o aparecimento daquilo que nos distingue dos outros animais e marca a nossa especificidade, isto é, a cultura. Este é o principal factor humanizador que deu origem à história humana.

Em jeito de conclusão, e na minha opinião, a adaptação cultural é mais importante e que a adaptação genética. Suporto esta minha opinião no exemplo dado pela professora: «Para conseguirmos voar, não foi necessária qualquer mutação genética produtora de asas (…) a ciência e a tecnologia permitiram essa adaptação ao meio»